O quarto era austero. O hotel Roosevelt em Manhattan, muito bem localizado, perto da Quinta Avenida e da Madison Square, é um edifício antigo.
Ao passar pelo décimo segundo andar, a porta estava fechada. Bati suavemente. Surpresa. A primeira impressão foi ter percebido que o inquilino temporário daquele quarto não era um perfeccionista em arrumações.
Há dois dias que partilhávamos o mesmo hotel. Desejei ir ao teu encontro, numa mistura explosiva de atrevimento e de paixão compulsiva.
Perseguiam-me as recordações de palavras escritas um ano antes que me tinham ferido, quando tinhas decidido escrever um blogue e acertar as baterias na mulher, eu, que nunca havias conhecido.
Imaginava o que poderias sentir com uma entrada abrupta no quarto 1210. “ Queria ela vingar-se de mim ? “, “ Estaria possuída por uma atracção avassaladora que a fazia esquecer todas as circunstâncias proibidas ?“
Sentía que te culpavas pela traição de pensamentos e de actos.
Eu desejava parar o tempo : fixar o calendário e segurar aqueles minutos. Estava prisioneira de uma imagem que me perseguia obstinadamente.
Naquele instante, a teu lado, imaginava que todas as coisas seriam possíveis. Não havia espaço, nem tempo. Só nós. A nossa esperança de um outro reencontro. De um futuro.
Judite Sousa
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