Infidelidade: é o que cada casal define

As prevalências de membros de um casal que têm relações extraconjugais varia entre os estudos, rondando os 20-40%, sendo ligeiramente superior nos homens do que nas mulheres. A percentagem de mulheres “infiéis” tem subido bastante nas ultimas décadas.

No entanto, o mais importante em relação a este tema é a própria definição de infidelidade. Em rigor, a definição de infidelidade não sou eu nem qualquer perito em saúde mental que define.  Ela depende daquilo que duas pessoas que estão numa relação definem.

Existem definições implícitas em determinadas culturas. Quando se começa uma relação uma caso o assunto não seja falado, a infidelidade inclui geralmente o envolvimento físico ou emocional com outra pessoa. No entanto, o problema de não discutir estas questões no seio do casal é que o conceito de infidelidade depende dos valores morais, éticos e religiosos de cada membro de um casal. Tive já pacientes que acham que a consulta de pornografia é também infidelidade, por exemplo, e outros que não pensam assim. Noutro extremo, há casais em que é permitido, pelos dois membros, que haja envolvimentos sexuais com outras pessoas, desde que se respeitem determinadas regras.

O mais importante para nós psiquiatras e psicoterapeutas é não julgarmos as pessoas e os casais que nos procuram.

De acordo com Jaspers, um filósofo e psiquiatra do início do século XX, para acedermos àquilo que faz sofrer os pacientes (a doença mental) e conseguirmos encontrar resolução para essas situações, temos de nos distanciar das nossas convicções pessoais (morais e religiosas). O nosso dever nunca é julgar mas sim tentarmo-nos por no lugar do outro e ver a sua realidade como ele vê. Só assim conseguiremos ajudá-lo.

Assim, a infidelidade nunca é o outro que a define, mas sim o casal.

 

Dr. Diogo Telles Correia

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