Os bastidores da TV

Ironicamente, apresentei há cerca de dois meses um livro sobre as histórias que ficam por contar, quando se trata de reportagens com densidade informativa.
Estava longe de imaginar que dois meses depois, iria noticiar o resgate de um grupo de crianças Tailandesas. Como já tive oportunidade de dizer, conheço relativamente bem o Sudeste Asiático. Vivi em Macau, atravessei a China, cobri a transferência de Hong-Kong e de Macau e, entretanto, voltei à região sempre em trabalho uma dezena de vezes. Conheci Benazir Bhutto, a ex primeira-ministra do Paquistão que foi assassinada. Na Tailândia, tinha estado em 1986 quando na RTP, o José Manuel Barata Feyo coordenou uma série documental que se chamou “Portugal sem Fim”.
A viagem até Chiang Rai é penosa: Lisboa-Frankfurt-Bangkok-Chiang Rai, com escalas de várias horas. Um dia para chegar com uma diferença horária de seis horas.
Inicialmente, ficámos instalamos a uma hora da gruta, o que era inviável. Mudámo-nos logo para um local mais perto do centro dos acontecimentos. O terreno era lamacento, até porque ia chovendo de quando em vez. Ainda em Lisboa, comprei numa loja dos chineses umas galochas por 10 euros. Os jornalistas usavam todos este calçado.
No primeiro e segundo dias, sexta e sábado, não foram colocadas dificuldades à movimentação da imprensa. No primeiro dia da operação, domingo, também não. No domingo, foram resgatadas 4 crianças. O local da notícia foi deslocado para as imediações do hospital onde a estrada de acesso tinha sido cortada horas antes. Como conseguimos chegar mais cedo, ainda fiz um falso directo à porta do hospital. Os seguranças afastaram-me mas eu mantive o sangue frio para continuar a narrar o que se passava. É o dever do jornalista.
Nos dois dias seguintes, o resgate prosseguiu com êxito.
O maior problema que senti foi o cansaço. O J8 era às duas da manhã e às seis horas já estávamos a pé. O repórter de imagem Ricardo Silva foi excelente. Tirámos algumas fotos para que as pessoas saibam que os jornalistas não estão sozinhos no terreno.
O resto da história ficará para mais tarde.

Judite Sousa

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