O fracasso potencia a solidão

Falar hoje em dia em ansiedade, exigência e pressão profissional implica reflectir sobre o conceito de auto-estima. E a pergunta é: como nos vemos a nós próprios?

Nas nossas sociedades, para um indivíduo obter auto-estima é necessário que se sinta especial e acima da média, ou seja, num patamar superior ao da normalidade.

Existe uma dinâmica social que varia entre a ininterrupta exigência para sermos os melhores, mas que ao mesmo tempo nos obriga a sentirmo-nos bem connosco próprios. Muitas vezes, esta dualidade cria um conflito difícil de resolver.

Marilyn Monroe disse-o claramente: “Sou um fracasso como mulher. Os homens têm imensas expectativas em relação a mim por causa da imagem que fizeram de mim – e que eu fiz de mim própria – enquanto uma sex symbol. Estão à espera que os sinos toquem e que os apitos soem, mas a minha anatomia é semelhante à de qualquer outra mulher, e eu não consigo corresponder a essa imagem”.

A auto-estima leva-nos a pensar na autocrítica. Será que a nossa motivação fica enfraquecida? Dizem os especialistas que quando nos criticamos estamos a levar para o nosso organismo adrenalina e cortisol e que isso irá possibilitar-nos, de acordo com o nosso sistema de autodefesa, a encontrar modos de responder activamente. É certo que a autocrítica dura, agressiva e incisiva far-nos-á trabalhar e corrigir as falhas a curto prazo, mas a uma distância maior há o risco de nos fazer sentir deprimidos, dando espaço à desistência. E isso não é mais possível. O fracasso não é permitido.

Judite Sousa

 

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