Os meus gostos – Pequim

Como não poderia gostar da cidade onde fiz 21 anos? Estava a trabalhar em Macau quando fui desafiada por dois amigos para uma viagem até à capital da China. Não foi uma viagem qualquer. Decidimos que iríamos de comboio, a partir de Hong-Kong. E assim aconteceu. Foram três dias de viagem. O comboio parava em todo o lado, o que nos permitia ir conhecendo o “continente”. O problema era a comida: só havia arroz branco e verduras. Foi uma aventura.
Chegámos a Pequim e só vimos nas longas avenidas, ladeadas por edifícios governamentais, milhões de bicicletas. Carros, muito poucos. Só os do Estado e do partido. Tenho fotografias em que estou na Cidade Proibida rodeada por Chineses que nunca tinham visto uma ocidental. Visitamos tudo: a Muralha da China que fica a uma hora de Pequim e o palácio de verão dos imperadores.
Desde então, voltei inúmeras vezes e fui acompanhando o crescimento da cidade, à medida que a China se começava a afirmar como uma super potência. Estive em Pequim com Mario Soares, com Cavaco Silva, na transferência de Hong-Kong em 1997 e na de Macau em 1999.
Quis que o André conhecesse a região e estivemos em turismo. Foram viagens inesquecíveis.
Há 4 anos, Pequim estava irreconhecível. À parte antiga, juntou-se uma cidade nova, construída de raiz. Lembrava-me onde ficava a rua da comida Chinesa. Fiz reportagem com gafanhotos na mão, para desespero do meu repórter de imagem, Luís Branco, que só me dizia: Judite, não aguento este cheiro.
Vou voltar assim que possa.

Judite Sousa

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