Parabéns, arquiteto

Souto Moura já tinha ganho o Pritzker, considerado o Nobel da arquitetura. Agora, conquistou o Leão de Ouro na Bienal de Veneza.
Há uns quatro anos, fiz uma reportagem/entrevista com o arquiteto. Um portuense genuíno, de trato afável, um senhor.
A gravação começou no seu atelier, num antigo prédio da Foz velha, que ele partilha com Siza Vieira – outro Pritzker – que é seu cunhado. Creio que a maioria das pessoas desconhece este lado familiar.
No seu escritório, o que mais me chamou a atenção foram as centenas de post-its colocados nas paredes. Perguntei -lhe para que serviam, ao que Souto Moura me respondeu que eram frases soltas que ele ia retirando do que lia e que o ajudavam a escrever as muitas conferências que é solicitado a dar pelo mundo.
Da Foz, seguimos no carro dele até Braga, com paragem para um delicioso bacalhau à minhota. Depois, lá seguimos para uma das suas obras mais notáveis: o estádio de futebol que foi construído no meio de uma montanha de rocha. É um trabalho de arquitetura extraordinário. Ver o estádio, estar lá, até chega a ser comovente. Com toda a simplicidade, o arquiteto lá explicou como é que tinha concebido aquela obra.
Regressamos ao Porto, partilhamos confidências sobre a nossa cidade, e eu fiquei a pensar como é de facto verdade que temos tantos talentos entre nós, com reconhecimento internacional.
Souto Moura é, a par de Siza Vieira e de Alcino Soutinho (que já faleceu), um dos representantes da chamada escola de arquitectura do Porto. Cada vez mais se percebe porquê.

Judite Sousa

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