A nossa mente não é estática. O cérebro vai absorvendo tudo o que nos acontece ao longo da vida e moldando os nossos comportamentos de acordo com a nossa história pessoal.
Assim, a nossa reação a determinados acontecimentos de vida pode variar dependendo do que fomos interiorizando. Este fenómeno é particularmente importante nas situações que nos provocam sofrimento.
A sensação de rejeição é uma delas. Ao termo rejeição associam-se os conceitos de repelir, recusar, desprezar.
Ao longo da nossa vida, temos muitas vezes a sensação de que somos rejeitados por alguém ou por um grupo de pessoas. Pode ocorrer em diferentes contextos – desde um contexto social onde nos pretendemos integrar, até a uma relação afectiva.
Frequentemente, nós psiquiatras e psicoterapeutas, encontramos pessoas que reagem de forma catastrófica a uma rejeição. É fundamental nestes casos pesquisar o passado do paciente, porque muitas vezes vamos encontrar histórias de vida, nomeadamente ao longo da infância associadas à rejeição. Rejeição por parte dos pais, da família, do grupo de colegas da escola… Assim, os fenómenos atuais de rejeição são vividos não apenas no presente mas também anexam consigo toda a dor que permanece no inconsciente devido ao que se passou no nosso passado. A dor é assim multiplicada, a um nível que muitas vezes requer tratamento psiquiátrico para o alívio do sofrimento. O primeiro passo é tentar compreender esta associação entre presente e passado que se aliam para determinar uma reação tão dolorosa. Este trabalho exploratório pode ajudar a dar algum sentido ao que se passa e funcionar como um precursor para saída desse bloqueio emocional.
Diogo Telles Correia
Médico Psiquiatra e Psicoterapeuta – Professor da Faculdade de Medicina de Lisboa
Comentários