A velocidade das “fake news” no nosso cérebro

Recentemente, o neurocientista e professor da Universidade da Califórnia, Matthew Lieberman, veio chamar a atenção para o facto de que a velocidade de propagação das “fake news” no ceio de determinados grupos sociais pode relacionar-se com alguns aspectos das neurociências.

Segundo este autor determinadas regiões cerebrais (amígdala, córtex orbito-frontal e temporal) que constituem o chamado “cérebro social” específicas das interacções sociais, quando activadas têm um poder extraordinário sobre a tomada de decisões (actividade que tem sido mais relacionada com a área do córtex pré-frontal-região que se apresenta na área à frente do cérebro).

Isto explica o facto de que se as “fake news” forem apresentadas através de canais de televisão ou outras fontes de informação como blogues, ou sites de internet, com que determinados grupos de indivíduos se identifiquem socialmente, elas são muito mais facilmente absorvidas por eles e rapidamente envolvidas nas suas tomadas de decisão e espalhadas por indivíduos do mesmo grupo.

Assim, é mais valioso que os indivíduos identifiquem a informação com o seu grupo social do que a racionalizem e investiguem se é correcta.

Este mecanismo poderá explicar a incrível velocidade com que informações falsas se propaguem como verdades no ceio de grupos sociais.

Diogo Telles Correia
Médico Psiquiatra, Professor da Faculdade de Medicina de Lisboa

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