A maquilhagem não é uma Arte.

O que “define” Arte (escultura, pintura, literatura, música, teatro, dança e cinema) é o facto de não ter função, de não servir para nada a não ser agradar aos sentidos e estimular emoções (o que não é pouco). A Arte é um trabalho de criação quase sempre solitário, e de certo modo egoísta. O “consumidor” gosta ou não, mas o processo criativo não está, em princípio sujeito a uma prévia aprovação de um cliente, ao contrário da maquilhagem. O trabalho de um maquilhador só está bem feito na medida em que o cliente estiver satisfeito, seja esse cliente um canal televisivo, uma revista de moda, a composição de um personagem para uma qualquer obra, um criador de moda, ou uma mulher que por motivos pessoais quer, nesse dia, elevar a auto-estima. É sempre um trabalho em prol de outros. Até porque a nossa “tela” nunca é branca: é uma pessoa com tudo o que isso implica. Nunca começamos do zero. Tem um lado criativo? Tem! Mas até por uma infeliz experiência própria, sei o quanto um contabilista pode ser criativo, o que não faz dele um Artista.
A maquilhagem é um ofício como qualquer outro, e na verdade sem grande importância para a humanidade. No entanto, é parte integrante de várias indústrias, movimenta muitos milhões, e assegura muitos postos de trabalho.
Tenho a convicção de que a grande parte dos meus colegas não concorda comigo, até porque a maioria se intitula Makeup Artist. Eu sou só uma maquilhadora!

Cristina Gomes

Partilhar

Comentários

Artigos de interesse