Uma das muitas reportagens que um dia gostaria de fazer é sobre os labirintos da paixão. Encontrar histórias de vidas que me permitissem ir ao encontro de afectos, de amores possíveis e impossíveis e de os contar em televisão.
Tenho algumas reflexões sobre o tema; um assunto difícil, ousado mas desafiante.
Muitas vezes apaixonamo-nos e não sabemos porquê.
Para nos apaixonarmos, dizem os especialistas, tem que haver uma disponibilidade espiritual e física, o desejo de enamoramento com alguém que corresponda ao nosso imaginário, ou de forma mais realista, que nos transmita um conjunto de sensações e vontade de partilha e de posse.
O nosso imaginário e a disponibilidade para a paixão acabam por ser influenciados pelo contexto em que vivemos : amigos, filmes, livros que tratam o tema de forma intensa, levando-nos a desejar o mesmo.
Todos recordamos as paixões e os amores de praia durante a adolescência, que é a idade da descoberta e da experimentação.
São infindáveis os mistérios da vida.
O que verdadeiramente mudou nos dias de hoje é a liberdade de expressão, do desejo e dos sentimentos e, como consequência, os resultados que determinam a forma como vamos construindo a nossa vida. Desse ponto de vista, as mulheres deixaram de esperar. Uma das manifestações da afirmação no feminino é a circunstância das mulheres assumirem a iniciativa da aproximação, arriscando, ganhando ou perdendo. Com normalidade.
À medida que vamos rasgando os dias do calendário e o tempo passa, vamos aprendendo com o que já tivemos e abrindo janelas que nos permitam ver o passado com os olhos do presente.
Sábias as palavras de Fernando Pessoa no livro do Desassossego : “…o coração, se pudesse pensar, pararia”.
Judite Sousa
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