A Noite

O Hotel Kempinski está localizado a poucos metros das “Portas de Brandenburgo”. Está a meio caminho entre a Avenida Unter den Linden e o Parque Tiergarten.

Nos arquivos da história, Berlim foi desde sempre uma cidade cerca por muros, pensada como uma fortaleza e o portão de Brandenburgo era um dos que permitia a entrada na cidade.

Em 1961, o portão foi fechado com a construção do muro de Berlim. E assim permaneceu até à queda do muro em Novembro de 1989. Hoje é o símbolo da unificação da Alemanha.

Berlim é uma cidade marcada pelos acontecimentos mais trágicos do século XX, sovietizada do ponto de vista arquitectónico e onde todos os locais nos transportam aos anos da guerra, mas também da libertação.

De Berlim a Cracóvia, a segunda maior cidade Polaca, é cerca de uma hora de avião.

A viagem faz-se com ansiedade. Aproximam-se as marcas da barbárie.

Cracóvia é uma cidade universitária com muitas igrejas e muita influência barroca. É um local acolhedor onde o viajante se sente bem, muito diferente da  austera Varsóvia onde só o nascimento de Chopin e os monumentos e jardins que o homenageiam contrariam uma sensação de guerra fria.

Menos de uma hora de transporte, ergue-se aquele que começou por ser o complexo industrial de Auschwitz. O coração bate forte. A fachada, as celas, os cabelos dos prisioneiros, os bens que lhes pertenciam, as roupas, os dentes e, mais arrepiante, as latrinas e uns metros adiante as câmaras de gás onde entre 1943 e 1945 Hitler decidiu que era ali, em Auschwitz, que estava a “solução final “; em Auschwitz e, a cerca de um kilómetro, Birkenau com a sua linha férrea, intacta, e a carruagem das muitas que transportavam judeus e prisioneiros de guerra para a morte.

Elie Wiesel entrou em Auschwitz com 15 anos. Toda a sua família, pais e irmãos, morreu no maior dos campos da morte. Ele sobreviveu até ontem na sua casa em Nova Iorque. E sobreviveu para nos deixar 40 livros e o mais impressionante de todos: “Noite”.

Um livro que questiona a vida, o horror, a crença e a fé, a luta pela sobrevivência.

“Como era possível que se queimassem homens, mulheres e crianças e o mundo se calasse?”, pergunta Elie Wiesel num livro obrigatório para que a memória perdure.

Judite Sousa

 

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