A verdade é o amor

Morremos porque nascemos. Na essência, esta afirmação traduz o percurso de uma vida, qualquer que seja o tempo que ela dure. Mas talvez a pergunta mais simples e, simultaneamente, mais desafiante seja esta: porque é que vivemos? E talvez a resposta seja tão simples: vivemos para estarmos com os outros e para que eles guardem algo de nós.

Na voz íntima de Leonard Cohen, ele passou-nos o turbilhão de emoções em que vivemos. Cantava com uma sensibilidade que arrebatava corações estilhaçados.

É disso que se trata: alguém entra em nós para deixar uma marca tão profunda que nos faz sentir o que o outro sente, que nos faz sorrir e sofrer, acreditar e renunciar.

Cohen cantava a vida, depois de um trajecto como poeta, romancista e compositor. As palavras saíam-lhe como um sussurro como falam os amantes, sempre que estão inebriados com a magia da paixão.

Leonard Cohen iluminou o trânsito emocional dos desorientados. Por isso é que o recordamos com ternura. E o carinho com que o lembramos, faz-nos pensar que o coração guarda tudo, mesmo o que, um dia, deixámos partir.

 

Judite Sousa

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